Hoje termina a São Paulo Fashion Week. O único desfile do qual eu participei era, claro, alternativo. Sábado à meia-noite, as modelos da Daspu mostraram a coleção de inverno no Clube Glória. Vi tudo das escadas que ficam na lateral do lugar, junto com outros coleguinhas da imprensa, logo atrás dos fotógrafos e câmeras.
As modelos eram mulheres baixinhas, acima do peso e negras. Elas caminhavam pelo palco-passarela tímidas, com saltos altíssimos, maquiadas com pouca purpurina. Havia também homens e travestis mostrando a coleção masculina. Entre eles, Supla com um conjunto de calça e blusa brancas justas com cinto preto de tachinhas e óculos escuros. Bruna Surfistinha foi uma das últimas a aparecer na passarela. Ela estava visivelmente constrangida e, entre os gritos entusiasmados do público, algumas vaias foram ouvidas.
De uma janelinha na lateral do palco, uma senhora de cabelos curtos e grisalhos, com óculos de aros pretos e grossos, bata branca com decote, observava tudo. Gabriela Leite bebericava uma taça de champanhe. A festa era dela também, afinal. Diretora da ONG Davida, é ex-prostituta e ajudou a criar a grife, que tem parte do lucro voltado para projetos de prevenção à Aids, entre outras doenças.
A peça que mais me chamou a atenção foi um vestido branco, com decote em V e uma foto retangular de guarda-chuvas vermelhos estampada na saia. A modelo de cabelos negros trançados, bem compridos, mostrava um sorriso feliz e calejado.
Algumas atiraram camisinhas em nossa direção, enquanto posavam para as câmeras. Terminei a noite com uma meia dúzia delas no bolso esquerdo da calça jeans.
Puta parada
29 01 2007Comentários : Deixar um comentário »
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Resumo
26 01 2007Disse, em setembro de 2006, Paco (Pater Comunes) S.:
*Nenhum jornalista pode ser frívolo – ou seja – fútil e superficial. É preciso dar valor às coisas.
*Humildade é bem importante, porque assim se evita o preconceito e podemos contribuir com a sociedade, dando conhecimento.
*Leia todos os dias – até alcançar um metro de livros por ano. O metro se dá pelo empilhamento dos mesmos na diagonal.
*Leia Flannery O’Connor, Ranier Maria Rilke, Augustin de Hypona e G.K. Chesterton.
*Ler é importante para que não nos tornemos cínicos (no sentido de não distingüir o bem do mal).
*Quando não há razão, a violência aparece. Se pensarmos no nível da cultura, temos que se uma cultura dialoga com a outra, há maturidade. A guerra existe porque falta razão – duas culturas não conseguem argumentar.
*Cuidado com o excesso de sentimentalismo e falta de visão. Busque o equilíbrio entre a razão e o coração. Pender para qualquer um dos lados pode trazer resultados nefastos.
*Alimente a inteligência lendo, viajando e discutindo.
*Alimentar o coração é tirar coisas dele e não colocar coisas nele (tenha carinho por pessoas e não por coisas).
*Leia o livro de Provérbios para entender um pouco sobre a nossa cultura. E lembre-se que se comover com a desgraça dos outros não é sinal de misericórdia. Misericordioso, de acordo com Augustin de Hypona, é quem faz alguma coisa pra acabar com a desgraça do outro. (No nosso caso, agimos dando informação).
*Todos sofremos. Mas há duas opções para o sofrimento: transformá-lo em amargura ou em doçura.
*Os conhecimentos básicos do jornalismo são:
1) Saber “mirar”
2) Saber “escuchar”
3) Saber “pensar”
4) Saber “contar”
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Ai, se a estrada encolhesse…
25 01 2007Persongem Fictícia 1 diz:
Acho que vou começar um diário. Pode ajudar.
Persongem Fictícia 2 diz:
É uma boa, PF1.
Persongem Fictícia 2 diz:
Faça um blog só pra você.
Persongem Fictícia 1 diz:
Blog não. Diário mesmo, com a minha caligrafia. Já tentei blog e não deu certo, é muito fraco.
Persongem Fictícia 2 diz:
Eu sempre começo e abandono blogs… Só dá certo no caderno mesmo!
Persongem Fictícia 1 diz:
Posso levar pra qualquer lugar que eu quiser… Não preciso de uma máquina… É muito mais emocional, manual: o contato direto com o papel.
Persongem Fictícia 2 diz:
O risco, o borrão, a poesia.
Persongem Fictícia 1 diz:
Exatamente.
Persongem Fictícia 1 diz:
A inspiração da hora. Muito mais feedback, mais interatividade com o momento vivido.
Persongem Fictícia 2 diz:
E pensar que o bom escritor simula tudo isso.
Persongem Fictícia 1 diz:
É. Será que todo bom escrito é um desabafo em sua mais profunda verdade?
Persongem Fictícia 2 diz:
Não existe verdade na escrita.
Persongem Fictícia 2 diz:
Ou melhor, qualquer coisa bem escrita é verdade.
Persongem Fictícia 1 diz:
Foi o que pensei agora.
Persongem Fictícia 2 diz:
A verdade do texto é a fonte do prazer da análise.
Persongem Fictícia 1 diz:
Ai, PF2, tá muito acadêmico isso!
Persongem Fictícia 2 diz:
A Maria do Carmo falou isso numa orientação. Nunca esqueci.
Persongem Fictícia 2 diz:
Eu estava reclamando que a semiótica acabou com o prazer em ler o texto.
Persongem Fictícia 2 diz:
E ela: mas trouxe o prazer da análise.
Persongem Fictícia 1 diz:
Prefiro o prazer em primeiro plano, sensorial, o de ler. A análise vem só em último caso.
Persongem Fictícia 2 diz:
Pois é, não faça letras!
Persongem Fictícia 2 diz:
=S
Persongem Fictícia 1 diz:
Bom conselho!
Persongem Fictícia 2 diz:
Hehe
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Capuccino
25 01 2007Tudo o que eu queria era sentar em um café charmoso num fim da tarde fresco. Pediria um capuccino cremoso com chantilly, e conversaríamos sobre qualquer besteira nos olhando nos olhos. Seria natural que sua mão esbarrasse na minha, assim, por acaso. O toque nos daria a certeza de estarmos em um momento simples de felicidade, então lembrado para sempre. Depois de alguns meses, numa manhã de domingo de luz branca, quando acordássemos juntos, diria que meu coração ficou quente ao nos tocarmos naquele café.
Não queria te deixar passar em branco. Mas mostrar todas as coisas singelas e verdadeiras que fiz, tentando ser feliz. Buscava o equilíbrio dos simples e especiais.
Pena eu ter notado os sinais que você não dava. Fique bem.
Um beijo,
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Pensem nas coisas simples
25 01 2007Paletó preto com três botões – o último aberto, sugerindo a elegância de conhecer a regra aristocrática. Camisa branca, acompanhada de gravata que varia em listras de tons azul e cinza. Uma pulseira brilha prateada no pulso direito, enquanto no esquerdo um relógio de mostrador redondo faz o mesmo. Sapatos de bico quadrado e cinto, ambos pretos, têm detalhes cor de prata também.
O celular, que está guardado no bolso esquerdo de dentro da jaqueta, toca uma melodia baixa, interrompe a fala impostada, militar. Às vezes, ele atende e conversa rapidamente com alguém, a quem chama de “meu bem” – às vezes, olha no visor e desvia a chamada. Nesta terça-feira, a origem francesa de Cayres dá licença para que Ivaney fale com as mãos, como um italiano, durante um bate-papo com jornalistas. O diretor-geral do Detran de São Paulo, Ivaney Cayres, de 51 anos, diz ter duas paixões na vida – a Polícia e o Jornalismo.
No final da conversa, mais à vontade, abre os dois últimos botões da jaqueta. Orgulhoso, aconselha os jovens a pensarem nas coisas simples da vida e sugere que uma busca às origens da profissão, quando as entrevistas eram feitas na base do “olho no olho”. E termina sorrindo, “sou um profissional de carreira e acho que já fiz tudo o que poderia fazer como policial, escrevi minha história”.
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About me
20 01 2007Quando desvio para a janela o olhar da tela do computador em busca de inspiração pra começar, vejo ali no final da rua uma luz laranja piscando. Me agrada a tonalidade amarela das portarias dos prédios da Alameda Jaú. Minimizo esta janela e me perco relendo coisas antigas em tantos blogs e arquivos .txt começados e abandonados.
Um clássico:
22.1.04
Diálogos decisivos no ICQ nesta madrugada quente. Uma mosca de tamanho indefinível voa pelo quarto. Essa lâmpada branca não ajuda a construir o climinha que pretendia.
Tanto faz.
Sexta-feira, então, tornou-se o dia decisivo.
Nem tinha percebido que isso foi há quase três anos exatos. Com quem eu estaria falando pelo ICQ?
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