Pra onde eu vou?

14 09 2008

Comprei um edredom roxo queen size. Pra combinar, um adesivo. Combina porque é da cor da coberta. Fiquei horas olhando pra ele. Estava em dúvida entre a única frase disponível em roxo e a imagem da silhueta de um pássaro. Trouxe a frase:

“Onde isso vai dar,
Eu não sei,
Mas se for preciso,
Eu vou lá.”

Estou testando o canto ideal pra colar. Ontem, ficou pregado na porta do armário lateral à cama. Até agora me parece o melhor lugar, especialmente porque não está no meu campo de visão de adormecer e despertar. Stela dormiu aqui hoje e discordou do posicionamento. Hoje, está na porta do armário em frente à cama. Escrevo de costas pra ele.
Esteticamente, ambos são interessantes por trazerem equilíbrio às cores do quarto.
Psicologicamente, pensar em olhar pra frase o tempo todo me traz angústia. Realmente, não sei onde isso tudo vai dar. Eu acordo, corro atrás do ônibus, chego no trabalho, almoço, tomo café, trabalho mais, pego trem, “ponte orca” e metrô pra voltar pra casa, trabalho de casa, durmo e acordo de novo.
Sensação de que está chegando a hora de ir pra lá.





Insisto

2 09 2008

Não deveria ter insistido.





Humano ser

2 09 2008

Eu mesma não fazia idéia de todas as mudanças que aconteceram no último mês. Continuo em São Paulo, no oitavo andar deste prédio em frente à antena colorida, mas a vida, mais uma vez, girou a roda da minha existência. Ao ponto de quase não ter mais expectativas do que virá daqui pra frente. Quase, porque faço a manutenção cotidiana do exercício do sonhar. Sim, senhores. É o que resta e não é pouco.

A sala permance silenciosa. Neste instante, só ouço os carros distantes voltando pra casa ali na 13 de Maio. O som intermitente dos meus dedos no teclado. Um caminhão e uma moto pros lados da Paulista.

Troquei uma marginal pela outra, no horário comercial. E afirmo que o rio Pinheiros, pra onde olho de segunda à sexta, tem um cheiro mais enjoado do que o Tietê. A rotina mudou, ainda não me sinto totalmente adaptada, mas estou feliz.

Sinto falta, no entanto, de detalhes do bairro do Limão. Nos meus últimos dias por lá, caminhando em direção à firma, me vi ao lado de um campo de futebol infantil, com a grama mal aparada. Em meio ao mato, brotavam dentes-de-leão. Singelos, trouxeram uma percepção diferente da vida, já incorporada à essa vã filosofia que encaro todos os dias. Não havia vento naquela tarde, e as sementes permaneceram praticamente imóveis.

Dentro de mim, ventania.

Com a primavera, espero tintas mais alegres. O ar deve ficar mais leve. Busco um equilíbrio entre as horas objetivas e subjetivas. Não quero que o tempo passe sem eu perceber, nem desejo lutar contra as horas que teimam em se arrastar. Ou fica muito fácil meter os pés pelas mãos, querendo acelerar o que precisa andar num tempo próprio.

Segue o baile, em setembro.