Quando estava no segundo ano da faculdade, pedi um livro no empréstimo entre bibliotecas. “Pergunte ao Pó”, do Fante. Na época só havia um exemplar, com as folhas já amareladas, na biblioteca na Unicamp. O livro demorou uns 15 dias para chegar na minha mão, em Bauru. Li a história sobre o escritor-perdedor num par de dias. Em uma das páginas, com lápis, escrevi pra você palavras de amor. Hoje vejo que era um amor idealizado, portanto simples na complexidade absolutamente humana.
Depois, te mandei um e-mail dizendo que precisava consultar determinada página do livro “Pergunte ao Pó”, de John Fante, que estava disponível na biblioteca tal de tal instituto, corredor Y, estante X. Perguntei se poderia, por favor, ir até a biblioteca pra mim e mandar a frase literal do Fante sobre a angústia do narrador. Pedi que corresse os olhos pela página gasta até encontrar a frase que eu precisava para citar em um trabalho inventado de literatura. Coisa simples, sabe? Pra quando estiver com tempo sobrando…
Você disse que retiraria o livro e mandaria a frase por e-mail pra mim dentro de alguns dias. Mas na confusão do dia-a-dia, enrolado com coisa mais importante pra fazer, nunca conseguiu me fazer esse favor. E hoje me pergunto se as palavras ainda estão lá. Talvez a bibliotecária, zangada com o vandalismo de alguém que escreve com lápis em livros públicos tenha usado uma borracha para mostrar o que é civilidade. Talvez, entre as tantas palavras e letras que uma biblioteca tem, as minhas permaneçam lá, escritas com um grafite aflito.
Absolutamente
26 04 2008Comentários : 1 Comentário »
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